A Importância de Planejar
Postado por:
Jairo Cedraz De Oliveira |
O planejamento é uma atividade tão necessária que um mau planejamento traz conseqüência danosa não só a nós, enquanto indivíduo, mas também a uma série de pessoas, a uma comunidade e, assim, sucessivamente. Todas as atividades humanas exigem planejamento se quisermos obter bons resultados. Devemos planejar tanto as atividades individuais do dia a dia como as atividades que envolvem toda a humanidade. Desejos, anseios, sonhos, a luta pela sobrevivência, uma infinidade de coisas nos empurram para a necessidade de planejar. De um modo geral, saúde, educação, trabalho, gastos domésticos, transporte, moradia, lazer, alimentação, ciência, comunicação, produção, cultura, arte, arquitetura, exigem planejamento para serem bem sucedidas. Estas explanações iniciais são expostas a propósito de um tema que interessa mais de perto aos arquitetos: o planejamento urbano (urbano e rural, inseparavelmente) e o planejamento de unidades de moradias, de produção, de educação, de lazer, esportivas, etc. Ao arquiteto cabe desde a criação, desenvolvimento do desenho urbano e arquitetônico, que constitui o projeto, até a concretização do objeto criado e o acompanhamento das atividades e funções que vão ser desenvolvidas no equipamento construído e a sua inserção no meio urbano ou rural. O planejamento da cidade e da edificação aliado ao conhecimento técnico do arquiteto e dos trabalhadores da construção civil é tão necessária que um planejamento inexistente ou precário só traz prejuízos. O projeto, o planejamento e a execução de equipamentos urbanos e edificações, além da formação de arquitetos em Escolas de Arquitetura, prescinde de instrumentos legais elaborados e postos em prática pelos cidadãos e principalmente pelo poder público municipal, no sentido de evitar distorções e desordenamento. No nosso caso, o Plano Diretor do Município, a Lei de Ordenamento e Uso do Solo Urbano, o Código de obras, o Código de Meio Ambiente, o Código de Posturas, o Código de Ética Profissional, a Regulamentação da Profissão e uma fiscalização eficiente são instrumentos que devem ser conhecidos por todos os cidadãos. Cabe a qualquer cidadão, como parte do direito a uma cidade e a uma edificação que lhe proporcione conforto e qualidade de vida, conhecer e se orientar sobre os procedimentos necessários. Uma cidade como a nossa deve crescer de forma ordenada e, antes de tudo, o habitante ou futuro habitante e o loteador devem contratar um profissional habilitado, o arquiteto, e se dirigir a um órgão público municipal para legalizar o seu imóvel e loteamento. E cabe ao poder público se empenhar para planejar e controlar melhor o planejamento da cidade e da edificação, para evitar péssimas edificações e uma cidade caótica e problemática. Nossa cidade apresenta uma série de peculiaridades que devem ser levadas em conta num planejamento eficiente. O crescimento urbano acelerado sem uma atualização do antigo Plano Diretor de Desenvolvimento Local Integrado, a especulação imobiliária, a implantação irregular de centenas de loteamentos ao longo da malha viária, sem nenhum critério, são fatores negativos. Por outro lado, a pauperização crescente da população aliada à falta de políticas públicas (saneamento básico, proteção ao meio ambiente, drenagem de águas pluviais, proteção ao patrimônio público, etc.) contribuíram para piorar o quadro. Ainda há tempo de evitar o agravamento do caos urbano. Uma série de elementos devem ser levados em conta, a exemplo da proteção aos mananciais (lagoas, riachos, córregos, barragem da Pedra do Cavalo), flora e fauna, restrições a ocupação de áreas construídas sujeitas a erosão (Gabriela e Campo do Gado Novo), de rochas e cascalhos (Jardim Acácia e Pedra do Descanso), sem nenhuma permeabilidade do solo e com grande umidade do solo (Rocinha, Lagoa Grande, Parque Ipê, Parque Getúlio Vargas). Características físicas e geológicas devem ser observadas. Medidas devem ser pensadas e levadas a prática a exemplo da criação de parques e grandes áreas verdes e de lazer, da inversão das prioridades da iniciativa privada sobre os interesses públicos, da hierarquização e planejamento de novas vias de tráfego e da discussão e o envolvimento da comunidade com os problemas urbanos e a conseqüente busca de soluções. |